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  • 6.2.11

    Um artigo muito informativo sobre os grupos de interesse no Egipto. Vale a pena ler!
    2.2.11
    Um argumento visual
    30.1.11
    A rotura da ordem das coisas
    29.1.11
    O respeito
    28.1.11
    O regime de Mubarak conseguiu fechar o internet no Egipto

    Mas há Al Jazeera!
    "Quais são as exigências legítimas, se eles existirem..."

    Appearing on PBS NewHour last night, gaffe-prone Vice President Joe Biden remarked that he doesn't consider Egyptian leader Hosni Mubarak a dictator—despite his 29-year rule—and isn't sure what exactly protesters want. (For the record, its "freedom, democracy, an end to police torture, and a more committed government effort to address" poverty, the Christian Science Monitor says). When asked to describe Mubarak, Biden told host Jim Lehrer that he "has been an ally of ours in a number of things. And he's been very responsible on, relative to geopolitical interest in the region, the Middle East peace efforts; the actions Egypt has taken relative to normalizing relationship with—with Israel. … I would not refer to him as a dictator." The vice president then suggested that the government should work with protesters to discern "what the legitimate claims being made are, if they are, and try to work them out."


    (Slate)
    A favor da revolução

    Também eu sinto-me inibido de entrar num entusiasmo fácil com as revoltas no Egipto. Também eu não dou como adquirido - aqui muito menos do que na Tunísia - que aquilo que vem depois da queda do regime de Mubarak será melhor. Mas não posso deixar de acompanhar os que se manifestam com grande simpatia e desejar-lhes o melhor sucesso. Que a revolta se transforme numa revolução democrática bem sucedida. Desejo isso tendo em conta que revoluções são, mais vezes do que não, acontecimentos violentos e terríveis e, infelizmente, muitas vezes também seguidas de instabilidade e de novos regimes totalitários.

    Mas uma coisa é clara: O regime de Mubarak perdeu há muito a legitimidade, se uma vez a teve... É uma ditadura que se mantém no poder com a opressão sistemática das liberdades cívicas, com prisões de quem discorda publicamente e com recurso rotineira à violência policial e também à tortura.

    Se um movimento popular - e isso neste momento é um movimento popular - se ergue contra um regime assim, em nome da democracia (mesmo se fosse islâmica, algo que peço que Deus lhes poupe!), só o posso saudar.

    Durante 30 anos, Mubarak e o seu regime falharam em promover a democratização do Egipto. Pelo contrário, fizeram um percurso em direcção a cada vez mais opressão.
    Como deveria então proceder-se a mudança, se não com um levantamento popular?
    Ou achas, Filipe, que os egípcios deveriam esperar sentados até ao dia em que a liberdade cai do ceu?
    27.1.11
    65 anos

    No 27 de Janeiro 1945 as tropas sovieticas libertaram Auschwitz. No Holocausto foram assassinados 6 milhões de judeus, mas também 1 milhão de ciganos. Hoje, 65 anos depois, na ceremónia tradicional no parlamento alemão, foi a primeira vez que um representante dos Sinti e Roma falou em nome destas vítimas. Mais vale tarde do que nunca.
    Obrigado, Sarkozy!

    Nicolas Sarkozy afirmou em Davos o seu imabalável apoio ao Euro, e lembrou as razões: "Frau Merkel e eu nunca, nunca deixarão cair o Euro. [...] O Euro é Europa. Alemanha e França passaram por três guerras bárbaras. Hoje Europa é o continente mais estável do mundo."

    É preciso lembrar as prioridades, como Sarkozy fez: Europa é uma necessidade política.

    É certo que os problemas do endividamento em vários paises europeus tem a ver com o Euro, numa Europa cujo grão de integração política não corresponde a integração económica que uma moeda única exige. Mas a resposta só pode ser mais Europa e não menos Euro.
    26.1.11
    Playmate



    Retomo a tradição do qep de, nas quartas-feiras, celebrar a sensualidade do corpo humano.




    Duplamente, neste caso, apenas mudando um pouco o recorte da fotografia...



    (encontrado aqui)
    25.1.11
    The Palestine Papers

    Ontem Al Jazeera começou a publicar o que chama "The Palestine Papers", ca. de 1600 documentos secretos da negociação entre Israel e a Autoridade Palestiniana, moderada pelos EUA, de 1999 a 2010.
    Fiquei espantado pelo pouo relevo que este assunto recebeu nos média portugueses.
    O Guardian, a quem Al Jazeera disponibilizou os documentos, fez este primeiro resumo dos pontos essenciais:

    • Palestinian negotiators privately agreed that a token 10, 000 refugees and their families, out of a total refugee population exceeding 5 million, could return to Israel as part of a peace settlement.
    • PLO leaders accepted Israel's demand to define itself as an explicitly Jewish state, in sharp contrast to their public position.
    • The then Israeli foreign minister, Tzipi Livni, repeatedly pressed in 2007-08 for the "transfer" of some of Israel's own Arab citizens into a future Palestinian state as part of a land-swap deal that would exchange Palestinian villages now in Israel for Jewish settlements in the West Bank.
    • The US secretary of state, Hillary Clinton, and other American officials refused to accept any Palestinian leadership other than that of Mahmoud Abbas and the prime minister, Salam Fayyad. The US "expects to see the same Palestinian faces", one senior official explained, if it was to continue funding the PA.
    • Condoleezza Rice, secretary of state under George Bush, suggested in 2008 Palestinian refugees could be resettled in South America. "Maybe we will be able to find countries that can contribute in kind," she said. "Chile, Argentina, etc."
    • Livni told Palestinian negotiators in 2007 that she was against international law and insisted that it could not be included in terms of reference for the talks: "I was the minister of justice", she said. "But I am against law – international law in particular."

    Junto aqui dois mapas da proposta israelita de 2008 para uma troca de territórios (clicar para ampliar)



    Comentários guardo-me para posts posteriores. Mas isto fala por sí, não fala?
    24.1.11
    A primeira vez

    Fez dezoito anos em Setembro. Recensiou-se como eleitor. Com a elevação de quem assume, pela primeira vez, a sua qualidade de cidadão pleno, dirigiu-se ontem ao local do voto, a Escola Primária 101. Num gesto bonito e muito apropriado à dignidade da ocasião, as pessoas na mesa do voto deram-lhe os parabéns.
    Na cabine, descobriu que faltava a esferográfica. Depois de solicitar e receber uma nova, voltou e votou em branco.

    (históroia não ficcional)
    20.1.11
    America

    Há cerca de duas semanas, um assassino aparentemente perturbado e - essa questão está a ser discutida amargamente entre a direita e esquerda americana - influenciado pelo discurso violento do movimento da direita radical "Tea Party" - baleou e feriu gravemente a congressista americana Gabrielle Giffords e matou seis das pessoas com que ela reuniu num evento na rua. Ao crime, em si trágico e deprimente, este debate juntou outras razões para ficar com má impressão da sociedade americana. Tanto mais gostei desta descrição que o comentador Mark Shields fez do caso:
    "This is America, where a white Catholic male Republican judge was murdered on his way to greet a Democratic Jewish woman member of Congress, who was his friend. Her life was saved initially by a 20-year-old Mexican-American gay college student, and eventually by a Korean-American combat surgeon, all eulogized by our African-American President."
    19.1.11
    Porquê esforçar-se pela causa pública?

    A metade dos portugueses que acha que está pior do que antes do 25 Abril, ou seja, não reconhece o monumental progresso que houve nas condições materiais de vida, na disponibilidade e qualidade dos serviços públicos, para não falar das liberdades, não o merece.
    18.1.11
    Vakani vakani

    Vi que o meu amigo JPT já não está no Ma-Schamba - ficou vítima colateral da Wikileaks - mas aqui.
    Espero que me perdoe não ter respondido a tantos incitamentos amigáveis de retomar o blogar...
    Um país para fazer férias

    No SPIEGEL leio hoje um retrato optimista da revolução na Tunísia. Os tiroteios na rua cessaram, e as pessoas estão eufóricos, falam com jornalistas na rua, sem medo, e também, no caso das mulheres, sem véu. Jürgen Theres, um representante da Hans Seidel Stiftung, uma fundação alemã próxima do partido conservador CSU, que trabalha na Tunísia há 7 anos, relata uma atmosfera comparável com a na Alemanha depois da queda do muro. Realça a euforia, mas também o o civismo que geralmente caracteriza as pessoas.
    Segundo ele, as condições para uma mudança pacífica para uma genuina democracia são boas:
    - Existe uma classe média com um nível elevado de instrução.
    - A população caracteriza-se por civismo e disciplina.
    - Tunísia dispõe de instituições e duma estrutura pública de bom nível, inclusive de um estado social. Não opinião de Theres, o país está mais avançado do que, por exemplo, Portugal no ano em que entrou na União Europeia.
    - O fundamentalismo islâmico não tem aderência significativa no país.
    A situação desastrosa e a opressão maciça dos últimos anos terá como principal razão a cleptocraçia estabelecida pela entourage do presidente deposto.

    O optimismo referido no SPIEGEL contrasta com o cepticismo que por exemplo Anne Applebaum mostrou ontem num artigo na Slate. Talvez custa a Applebaum imaginar que a mudança para a democracia fosse possível sem o apoio dos EUA. Na verdade, e obviamente, o facto que essa revolução não tem a mão dos EUA ou de outra grande potência estrangeira, é uma vantagem inestimável.

    Jürgen Theres até acredita, ao contrário do que ouvi dizer muitos outros comentadores, que o governo interino - que contém muitos ministros do antigo regime - tenha a necessária autoridade e capacidade para governar e preparar eleições livres. Nem todos os políticos e altos funcionários públicos do antigo regime estariam totalmente comprometidos pela corrupção e a ditadura.

    Oxalá!

    Em todo o caso temos nós, a Europa democrática, aqui uma oportunidade única de apoiar um desenvolvimento positivo nesta região onde motivos para esperança eram tão escassos. Será um desafio fazer-lo de forma ajuizada, sem sequer deixar parecer que se retira às forças democráticas na Tunísia a sua autonomia.
    Um exemplo de uma revolução democrática e laica bem sucedida no Norte da África - o que poderiamos desejar melhor, para os Tunísios, para o mundo islâmico em geral e até em termos geopolíticos?

    A principal fonte de rendimento da Tunísia é o turismo. Compreensívelmente, depois dos acontecimentos dos ultimos dias, este agora enfrenta uma crise aguda. Como dizia um comentador no SPIEGEL:
    Não sabe o que pode fazer para ajudar à democracia na Tunísia? Vai passar as suas férias lá!
    14.1.11
    Wikileaks faz bem

    A Tunísia por exemplo.
    Isso ainda existe?

    Helena, vai comer!

    Consta que na comunicação, o conteúdo não é o mais importante. Não nego que seja assim, mas nunca lidei bem com este facto. Talvez arranje ainda algo para dizer.

    Mas antes irei dar umas voltas aqui para ver se isto - os blogues - ainda existe. Parecia-me tão longe, tão irreal, no ano passado...
    22.12.09
    17.12.09
    Um assunto importante

    O casamento de pessoas do mesmo sexo é dos assuntos políticos mais importantes de momento? - Não é. É uma diversão política? - Também não. Sim, para o governo funciona como diversão, ao ocupar espaço no debate público que falta a outros assuntos cuja discussão alargada lhe seria bem mais incómodo. Mas quem se empenha, dentro e fora do PS, e não desde ontem, no reconhecimento do casamento homossexual, fá-lo por boas razões e com boa intenção. Dizer-lhes que é uma diversão é negar-lhes a seriedade, um insulto. É obvio que esse argumento era principalmente táctico: enquanto a questão não estava agendada para ser legislada, a quem era contra convinha que o assunto não fosse debatido. Agora é o contrário: até necessita um referendo.

    A intensidade do debate é prova em si: o assunto é importante! No sentido estrito, é verdade que apenas diz respeito a uma pequena minoria. Mas faz parte dum combate cultural que ultrapassa em muito o que se vai legislar, e é muito bom que esse combate seja travado. Pois os opositores ao casamento homossexual têm razão: O projecto-lei põe em causa a família! Ou melhor, têm a sua razão, pois põe em causa o conceito de que têm dela, eles, os opositores, e não só eles. Está amplamente provado que existe família além da tradicional.
    Todas as sociedades têm um património colectivo de valores, mais ou menos consensual de que o conceito de família faz parte. Este património é nos transmitido, além das leis e as instituições, pelo que aprendemos em casa, nas escolas, e pela observação da prática (a "força normatíva dos factos"). Em Portugal ele é ainda muito marcado pela Igreja Católica. Não é por acaso que a parte da sociedade civil que se empenha em travar o lei é muito próxima da Igreja Católica, e também não é por acaso que muitos deles entendem a lei como afronta à Igreja Católica. Encontrei uma ilustração engraçada aqui nos blogues: Rodrigo Moita de Deus tem a noção que a Isabel Moreira quase exclusivamente faz posts sobre a ICAR, de forma verificavelmente errónea. A Isabel fez posts proponderantemente sobre o casamento homossexual. Para o Rodrigo e muitos outros, aparentemente, isso é a mesma coisa.
    Portugal pode já ser um Estado laico, mas ainda não é uma sociedade laica. Muitos não perceberam o que é uma sociedade laica ou, suspeito, se perceberam, não querem que Portugal o seja.
    Não sei se muitos que não querem uma sociedade laica (uma também sem crucifixos nos edifícios públicos, por exemplo) o assumem. Seria bom que o fizessem, pois tornava o debate mais honesto e racional. Permitia distinguir entre a questão do casamento homossexual e a luta pela manutenção da influência da Igreja Católica na sociedade.
    5.12.09
    O telemóvel de Sócrates

    Quando ouvi que havia uma notícia do Sol a dizer que Sócrates também trocou o telemóvel, no dia em que os investigados da Face Oculta o fizeram, achei - ainda antes de o ler - que iria ser esclarecido sobre o essencial: Sócrates mudou de número? Mudou, como os outros, para um aparelho descartável? Pois esse "pormenor" é essencial para sustentar a tese implícita, mas óbvia, do artigo da semana anterior de que o PM participou na - devemos dizer: alegada - conspiração da Face Oculta.
    Acontece que o Sol não confirma nem um nem outro. Simplesmente não refere essa questão. Entretanto João Galamba afirma que Sócrates não mudou nem o número nem passou a usar um telemóvel descartável. Como o Luis, acredito no João. Eu aqui, com base em que sei, só posso escolher de acreditar nele ou em Felícia Cabrita. (Verificar e fundamentar essa questão cabe à jornalista, e é revelador que não o faz.) Tenho o João como uma pessoa de bem, e faço o juízo em função da forma honesta que argumenta e argumentou aqui nos blogues. Não posso dizer o mesmo da Felícia Cabrita, a julgar pelo como veicula "notícias" que, pela sua selecção da informação, são claramente enviesadas. Nunca li o Sol. Fico cada vez mais convencido que não vale a pena lê-lo. A ver pelos exemplos em questão, faz jornalismo de tablóide do mais nojento. Zum Kotzen!

    E não: não sou apoiante de Sócrates. Não estou convencido que o governo não pressionou e pressiona a imprensa, também por meios ilícitos. É um assunto importante que se deve investigar e, a confirmar-se, denunciar e noticiar. Com o pormenor importante de fundamentar a notícia. O António P. tem toda a razão. É uma tristeza que não haja jornalismo de investigação em Portugal que merece este nome.

    Somos uma sociedade tão pouco exigente. Exigimos como indivíduos, lobbies, corporações, mas como sociedade, não achamos que nós não devemos nada a nós.
    3.12.09

    Thumbs Up
    (Michael Bilsborough)
    2.12.09
    Mais uma manifestação de antigermanismo primário

    «E uma oportunidade única para o leitor afastar teias de aranha enquanto é enxovalhado por Helgas de napa preta e godemichet.»


    Reconheço que as minhas compatriotas põe-se a jeito. Entre outro, para as fantasias do meu estimado co-bloguista.
    1.12.09
    A preservação de contextos identitários


    Samarra

    Num comentário ao post anterior, o JPT desafiou-me de explicitar a minha posição em relação à proibição dos minaretes na Suiça, tendo em conta a minha profissão de arquitecto. Depois a Maria João propôs que elevasse a resposta a post. Faço-o então. O post não é completamente idêntico ao meu comentário, e por isso não reproduzo aqui a pergunta do JPT. Também não o faço porque, nas caixas de comentários, o JPT e eu nos habituamos a discutir com ainda mais informalidade e confiança na mútua boa fé do que nos próprios blogues. E correspondentemente menos bem blindado do que talvez faríamos se nos soubéssemos num local mais exposto. Mas pode-se sempre consultar a conversa no local original.
    Aqui então vai:

    Estou a favor da preservação activa de contextos identitários, acho porém revelador se este contexto abrange o território integral de um país, e nem num canto duma zona industrial se encontra um lugar para um minarete. Proibir minaretes tout cour num país inteiro, ainda por cima com uma população muçulmana de 400.000 em 7.7 milhões, é discriminação religiosa.
    Como arquitecto, conheço bem e de perto os dilemas da preservação activa de contextos identitários (urbanos). Muitas vezes esta preservação, hoje prática corrente até na vila culturalmente mais insignificante, acaba por produzir kitsch no sentido de Kundera, que citei uns post mais em baixo. O desejo de nos acomodarmos em contextos conhecidos, facilmente descodificáveis e consensuais afasta a representação da nossa vida colectiva, que é e deve ser a cidade, da realidade dessa nossa vida de hoje. É uma coisa complicada que merece mais do que um post. Não defendo de todo que seja errado, por exemplo, que se use edifícios históricos por fins contemporâneos. Muito pelo contrário. O que quero dizer: As nossas sociedades evoluem, e isso deve ser acompanhado pela mudança dos contextos identitários. Se isso não acontece, entramos no domínio do kitsch e caminhamos em direcção à morte cultural. No caso da Suíca, um país tradicionalmente cristão, vivem entretanto 400.000 muçulmanos. 5,2%. Isso é uma evolução cultural significante? Com o voto do domingo a maioria dos Suiços disse ao mesmo tempo que é e que não quer que o seja.
    Voltando a falar como arquitecto: Se fosse responsável do urbanismo e instituído dos poderes correspondentes de uma câmara, imagino-me com facilidade a chumbar a pretensão da construção de um minarete. Por ferir a imagem consolidado do bairro, por violar parâmetros urbanísticos ou porque as emissões acústicas ultrapassam o aceitável na respectiva classe de espaço no PDM. Mas nunca o chumbaria simplesmente por ser minarete.
    30.11.09
    Evidentemente, obviamente!

    «O referendo visou os minaretes, mas evidentemente não a comunidade muçulmana. Com a proibição dos minaretes, obviamente, queria dar-se um sinal contra essas formas fundamentalistas.»

    Eveline Widmer-Schlumpf, Ministra da Justiça da Suíça (daqui)

    Ah, é?
    É pena

    No Blasfémias escrevem pessoas inteligentes e articuladas. Infelizmente falta àlguns a mais elementar honestidade intelectual. Haverá quem realmente não saiba a diferença entre espaço público e edifícios públicos. Não acredito que seja o caso de Helena Matos. Haverá outros que não queiram saber dela, cegados pela sua preocupação religiosa. Também não acredito que a Helena Matos seja desses. E há quem não tem escrupulos de equiparar o inequiparável, só poque lhe convém e porque acha que há sempre uns estúpidos que não topam a fraude.

    Adenda (nunca há pedagogia a mais):
    Vamos lá ver. O espaço público é o ponto de encontro de todos nós, os cidadãos, em que se afirmam as mais diversas ideias mediante as suas representações. Nos edifícios da Igreja Católica, da IURD, dos Hindu, do Islão, na publicidade da Triumph ou da McDonalds, nos cartazes dos partidos em campanha eleitoral, nas manifestações de professores descontentes ou dos adeptos do Benfica. É um dos grandes méritos da nossa sociedade pluralista que no seu espaço público qualquer um tem o direito de nele se exprimir como entender, dentro dos límites do civismo. Mas note-se, quem se afirma no espaço público fá-lo por sua conta e despesa, e em seu nome. Os edifícios são seus, os cartazes são seus, o cachecol é seu, e quem grita a palavra de órdem é a própria garganta.
    Em contraste, os edifícios públicos são do Estado. E o que representam e devem representar é o Estado. O Estado não deve, de forma discricionária, usar os seus edifícios para passar a mensagem da McDonalds, do Benfica, ou da Igreja Católica. Isso violava o dever de imparcialidade, de que o princípio constitucional da laicidade apenas é um importante caso especial.
    (Comentário neste post)
    29.11.09
    Dawkins

    A propósito deste post:
    Só muito recentemente li Dawkins: The God Delusion, The Selfish Gene e o último, The Greatest Show on Earth. Recomendo vivamente todos! Não mudaram a minha mundivisão, mas a minha atitude em relação ao debate teísmo/agnosticismo/ateísmo. Costumava de chamar-me agnóstico, porque não me vejo capaz de demonstrar a não existência de deus. Agora, acho melhor dizer-me ateísta. Aceito o argumento de Dawkins que ao chamar me agnóstico dou a ideia de me encontrar algures a meia distância entre acreditar num deus ou não. Estou, como Dawkins, 99,999% convencido que não existe um deus. E mais convencido ainda que não haja nenhuma necessidade ou utilidade de recorrer a esse conceito para explicar a existência de o quer que seja.
    Outra mudança da minha atitude em relação ao debate, ao que costumava de assistir de fora, foi primeiro o meu espanto, e logo depois a minha indignação com muitos dos ataques contra Dawkins.
    O homem escreve não só com grande clareza, elegância e graça, mas com civismo e humanidade exemplar! Está nas antípodes do que o acusam, de fanatismo, de darwinismo social e outras - agora sei que devo chamar-lhes isso: calúnias de que é alvo.
    Haverá quem se lembre que participei activamente num blogue religioso, contribuindo com as minhas especulações e experiências. Fi-lo com entusiasmo e grande proveito, e ficarei sempre grato da amizade com os co-bloguistas. Ao afirmar-me agora claramente como ateísta, não sinto porém necessidade nenhuma de corrigir ou revogar qualquer coisa que nele escrevi. Como disse, a minha mundivisão não mudou. Continuo uma pessoa religiosa, no sentido que já uma vez formulei aqui, não por querer ser engraçado, mas mesmo a sério, não sabendo exprimir-me melhor: Deus ama-me, isso compensa sobejamente o facto que ele não existe.

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